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Jornal da Selva


Documento de Maio

A República sonhada por Euclides da Cunha

Como homenagem ao mês de maio, e ao dia do trabalho, vale destacar o programa de O Proletário, e trechos da mensagem aos trabalhadores, divulgados no dia 1 de maio de 1899, na cidade de S. José do Rio Pardo, onde se encontrava Euclides da Cunha (1866-1909), comandando a reforma de uma ponte, existente até hoje; nas horas vagas, o escritor rascunhava capítulos de Os Sertões. Encontrei, esse material, no volume I de suas obras completas (José Aguilar Editora, 1966, pp. 528-529).

            Geralmente se conhece o lado nacionalista de Euclides; na verdade, defendeu uma República em bases justas, que, logo nos primeiros anos, tomou rumos excludentes, bastante conhecidos de todos. Tornou-se um dissidente, como mostram sua vida e sua obra, sobretudo suas reflexões sobre a Amazônia. Leiamos, com carinho, o ideário que está contido nas obras completas deste grande brasileiro:

            “... Festa exclusivamente popular, ela se destina a preparar o advento da mais nobre das aspirações humanas: a reabilitação do proletariado pela exata distribuição da justiça, cuja fórmula suprema consiste em dar a cada um  o que cada um merece. Daí a abolição dos privilégios derivados quer do nascimento, quer da fortuna, quer da força. Para esse fim é mister promover a solidariedade entre todos os que formam a imensa maioria dos oprimidos sobre que pesam as grandes injustiças das instituições e preconceitos sociais da atualidade, destinados a desaparecer para que reine a paz e a felicidade entre os povos civilizados.”

            O programa contempla 21 pontos: 1) Proibição do trabalho das crianças de qualquer dos sexos até a idade de 14 ou 15 anos; 2) Escolas gratuitas, com o ensino leigo e obrigatório para todas as crianças, sem distinção de sexo, de cor e de nacionalidade, tendo as crianças pobres todo o necessário para freqüentar as escolas: roupa, comida, cuidados médicos, farmácias, etc; 3) Estabelecimentos apropriados para recolher os inválidos, pobres, velhos e defeituosos, dando-lhes com abundância roupa, comida, médico, farmácia, etc, para não irem morrer nas enxergas dos hospitais e nos adros das igrejas, ou na calçada das ruas, implorando aviltadora caridade, ministrada pelos ricos, e remédios; 4) Emancipação da mulher, reconhecendo-se-lhes iguais direitos e iguais deveres aos do homem, inclusive o de votar e ser votadas; 5) Impostos diretos e pesadíssimos sobre a renda; 6) Substituição das forças armadas pelo povo armado; 7) Organização do trabalho por ser o único fator da riqueza; 8) Estabelecimento de bolsas do trabalho; 9) Proporcionar a preços módicos a cada família uma casa confortável para sua residência; 10) Fornecer água e luz grátis a todos em geral; 11) Tribunais arbitrais obrigatórios para as questões internacionais; 12) Justiça gratuita para todos; 13) Supressão dos empréstimos internos e externos; 14) Tribunais arbitrais para decidir as questões entre patrões e operários; 15) Decretar leis de 8 horas de trabalho e a proibição do trabalho à noite para os assalariados; 16) Leis repressivas contra os usurários, estabelecendo uma só taxa de juros para todos os negócios; 17) Nacionalização do crédito; 18) Leis reguladoras da venda de bebidas, para acabar com o alcoolismo; 19) Leis que estabeleçam o divórcio, dando à mulher as mesmas garantias que ao homem; 20) Pensão aos inválidos do trabalho; 21) Reivindicação dos bens do clero para a comunhão social.



Escrito por Narciso Lobo às 00h10
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